Chegou o Dia dos Solteiros! A data é celebrada hoje, 15 agosto, e muitos deles estão usando as redes como uma alternativa na hora da paquera. Mas será que, na era digital, a procura por relacionamentos está mais fácil? Aplicativos, redes sociais e sites de relacionamento abriram um leque de opções. Com isso, startups e apps ganharam força motivados pela busca de relacionamentos na internet e cresceu também a preocupação com questões que envolvem a privacidade de dados, por exemplo. 

Tinder, Happn, Ok Cupid, Grindr, Facebook Dating e o recém-chegado, no Brasil, The Inner Circle (Tic) mostram, que, atualmente a tecnologia proporcionou novas oportunidades de encontrar pessoas, seja para se divertir, seja para um relacionamento sério. Para os mais tímidos, existe até o ProjectRina, um software de realidade virtual que projeta uma mulher holográfica em qualquer ambiente. 

Dados comprovam que a busca por esses tipos de aplicativos vem aumentando. De acordo com a Match Group, empresa americana que opera vários apps de encontros (OkCupid, PlentyOfFish, Tinder e Match.com), o Tinder registrou em 2018 uma receita de US$ 805 milhões. O que representa quase o total do valor arrecadado por todos os aplicativos da empresa. 

É seguro utilizar apps de relacionamento?

Com o crescimento e oferta de novos apps no mercado, questões como a segurança do usuário tornaram-se ainda mais importantes. As pessoas desejam fazer novas conexões, mas precisam que o ambiente em que isso acontece seja seguro. Por isso, empresas como o happn têm uma série de requisitos que garantem a política de confidencialidade do aplicativo. Uma delas é a possibilidade de mostrar amigos em comum, o que pode deixar os usuários mais seguros na hora de marcar um encontro. 

“Estou mais dedicada do que nunca a ajudar a promover a igualdade de gênero – e acabar com a misoginia e a masculinidade tóxica que ainda atormentam a sociedade. Não toleramos discursos de ódio ou mau comportamento de qualquer espécie; Bumble é uma plataforma enraizada na gentileza e respeito”, disse a fundadora e CEO da marca Whitney Wolfe Herd em comunicado do site. 

Para a diretora da SaferNet Brasil (associação que promove a defesa dos direitos na internet no Brasil), Juliana Cunha, de modo geral, esses aplicativos são positivos. Mas pode haver uma parcela de usuários que se envolvem em riscos, e é preciso tomar alguns cuidados. As mulheres, por exemplo, podem estar mais sujeitas a casos de assédio, uso de imagens com fins de extorsão e stalking (perseguição persistente). 

Ela alerta ainda para os casos em que ocorre o vazamento de imagens. Se a fotografia ou vídeo não foi divulgado, mas o usuário está sendo ameaçado, ele pode registrar uma ocorrência. “A legislação garante que o usuário que teve uma imagem vazada notifique a plataforma, se a plataforma não retirar, ela pode ser responsabilizada pela justiça”, disse Juliana Cunha. 

Em pesquisa realizada pela SaferNet das 669 pessoas entrevistadas e que tiveram problemas com a exposição de imagens íntimas, 275 eram mulheres contra 79 casos com homens. Para a diretora da associação, os aplicativos precisam desenvolver ferramentas mais seguras para as mulheres. Existem aplicativos que são mais amigáveis. Ou seja, que só as mulheres permitem que a interação aconteça. É o caso do  Bumble. Ele promete se destacar dos outros apps, já que na conexão entre pessoas do sexo oposto, as mulheres é que dão o primeiro passo da paquera. No aplicativo, é possível fazer também um perfil para amizades e até mesmo um perfil business para aqueles que desejam fechar negócios. 

O advogado especialista em direito digital e segurança da informação Guilherme Guimarães explica que a divulgação de cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, bem como imagens de sexo, nudez ou pornografia, sem o consentimento da vítima, por qualquer meio, inclusive redes sociais, aplicativos de mensagens passou a ser crime pela Lei  13.718/2018. A pena também pode ir de um a cinco anos de reclusão, podendo ser agravada se o agressor tiver relação afetiva com a vítima. Inclusive quem compartilha o material contendo as cenas, poderá ser responsabilizado criminalmente também. 

Conheça os principais apps do momento 

Mas qual app escolher? Listamos os apps mais falados do momento para você decidir onde quer que aconteça a paquera. 

Tinder – O app é um dos mais populares do mundo atualmente. Para escolher o parceiro basta dar um “Match”. Nele, o processo tem dupla confirmação. Por isso, o Match só acontece quando há interesse mútuo. Disponível para Android e iOS. 

Ok Cupid – Aqui você encontra seu parceiro ideal por meio de perguntas muito específicas. O usuário precisa responder várias perguntas que apontam sua personalidade e preferências. Disponível para Android e iOS. 

Grindr – Ele é considerado um dos maiores apps para pessoas gays, bi, trans e queer no mundo inteiro. O aplicativo usa a localização de cada usuário, o que facilita encontrar pessoas próximas à sua localização. Disponível para Android e iOS. 

Facebook Dating – Essa ferramenta está disponível no próprio  Facebook. O encontro acontece de acordo com a localização e preferências sugeridas pelo usuário. A troca de mensagens ocorre  quando a curtida de perfis e mútua. Para utilizar, basta atualizar seu app na Google Play ou Play Store. 

The Inner Circle – Recém chegado no Brasil, o app holandês The Inner Circle promete selecionar as pessoas que acessam o app a fim de garantir encontros mais confiáveis. 

Bumble O app tem uma interface parecida com a do Tinder, exceto por uma funcionalidade que o destaca de outros aplicativos. Nele, apenas as mulheres iniciam a conversa com o sexo oposto. Disponível para Android e iOS. 

Romance e tecnologia: o que a psicologia diz sobre esse “boom” dos apps de relacionamento? 

Uma pesquisa divulgada em 2017, pela Universidade de Stanford, revelou que 39% dos casais heterossexuais se conheceram com a ajuda de aplicativos online. A partir dos anos 90, com o uso massivo de navegadores e a expansão dos smartphones, a forma como muitas pessoas se conheciam mudou definitivamente. Mas será que essa mudança é saudável?

O namoro online com o decorrer dos anos anos foi ganhando confiança e até mesmo perdendo o preconceito. Não raro, são as pessoas que conhecem ou conheceram alguém por meio da internet. Muitos até pedem ajuda dos amigos para ajudar a alavancar o perfil. Conversamos com a psicóloga e especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise, Bárbara Snizek Ferraz de Campos, sobre o crescimento dos apps. 

“Os aplicativos de relacionamento são uma ferramenta a mais nos relacionamentos. Eles encurtam distâncias e aproximam pessoas.Quando utilizados como única forma de se relacionar afetivamente podem indicar uma dificuldade de lidar com o ‘cotidiano’.  Relacionamentos não são perfeitos e exigem que os parceiros aceitem a sua imperfeição, assim como a do outro.”, concluiu. 

Ela explica ainda que a busca por parceiros na internet, desde que encarada como uma ferramenta, não é prejudicial. Se a pessoa está disposta ao encontro além das telas, a internet pode ajudar. O importante é estar atento para o fato de que há alguém de carne e osso do outro lado do aplicativo. De ambos os lados!

Além disso, a psicóloga explica que a busca pela perfeição gera muita insatisfação e dificuldade. É preciso estar aberto para tudo que escape ao previsível e ao “perfeito” para que o verdadeiro encontro com um parceiro possa acontecer. Estar fechado na busca de um ideal de si e de um relacionamento é uma posição que indica uma dificuldade em se relacionar.

Cuidados ao usar aplicativos de relacionamento

De acordo com recomendações da Safernet, ao usar aplicativos de relacionamento, é importante estar atento: 

1. Cuidado com os dados que fornece, por exemplo, evite dar o nome completo. Quanto menos informação melhor. 

2. Não use a mesma foto em todas as redes sociais. Isso pode facilitar a identificação por parte de pessoas mal intencionadas. 

3. Em situações de conversas muito íntimas, é recomendado evitar mostrar o rosto, marcas de nascença, tatuagens e objetos que possam identificar seu quarto ou casa. 

4. Desconfie da conversa. Pergunte a mesma coisa várias vezes, pois, muitas vezes a pessoa entre em contradição sobre o assunto. 

5. Cuidado com o encontro. Marque sempre em locais públicos e avise aos familiares ou amigos onde vai. Além disso, tenha um plano caso o encontro não dê certo. Peça para alguém ligar em determinado horário e preste atenção a qualquer sinal de alerta.

Para Juliana Cunha, é importante que o usuário leia a política de privacidade dos apps e avalie informações como a função de geolocalização. “Os apps precisam melhorar como essa comunicação é feita. Às vezes, o app tem sua política de privacidade em inglês ou informações muito técnicas que ninguém entende. Essa comunicação precisa ser desenvolvida para ser entendida por qualquer pessoa”, afirmou. 

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