Todo mundo conhece alguém, que já tentou pelo menos uma vez na vida fazer dieta. No livro Why We Heat (To Much) em tradução livre “Por que comemos (demais)”, o Dr. Andrew Jenkinson explica como as dietas interferem nos hormônios controladores do apetite, além das consequências prejudiciais para a perda de peso e para a saúde. Uma das maiores dificuldades na busca pelo emagrecimento não é o emagrecer em si, mas como manter o peso após a perda dos quilos. 

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Andrew Jenkinson é cirurgião geral, em Londres, e especialista em procedimentos bariátricos e membro da Sociedade Britânica de Obesidade e Cirurgia Metabólica. De acordo com o médico, a população está engordando, cada vez mais, e as estatísticas comprovam. A Organização Mundial de Saúde (ONU), já apontou a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. Segundo a Instituição, até 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e a obesidade pode atingir 75 milhões de pessoas. 

Após 15 anos de cirurgias bariátricas, o Dr. Andrew Jenkinson descobriu que havia razões científicas para explicar por que seus pacientes estavam presos em um círculo vicioso de dieta e perda de peso. (Foto: Heathcliff O’Malley)

Em entrevista à Vogue Britânica, o médico relata que o equilíbrio inteligente realizado pelo nosso metabolismo é devido a uma série de fatores. “Nossa taxa metabólica basal [o número de calorias que queimamos em repouso] pode mudar em até 700 calorias por dia, dependendo se estarmos comendo demais ou em excesso, para nos manter em nosso ponto de ajuste de peso individual”, disse Jenkinson. Ou seja, a manutenção do peso é individual e existe uma série de fatores determinantes, entre eles a genética, a qualidade da comida ingerida e por último fatores de estresse provocados pelo ambiente no qual vivemos. Ele explica que ao parar de fazer dieta, o metabolismo tende a ficar mais lento, e quando voltamos a comer como antes, os hormônios da fome agem no organismo tentando compensar a perda. “É por isso que as dietas funcionam a curto prazo, mas a longo prazo elas são contraproducentes”, afirmou o médico. 

Para nos esclarecer mais sobre o assunto, conversamos com Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Sociedade Europeia de Endocrinologia (SEE). Ela explica porque concorda que as dietas não funcionam a longo prazo.

“As pessoas têm feito dietas enlouquecidas. Dietas da moda. Dietas cetogênicas que não são cetogênicas. Muito restritivas. Jejum intermitente. O grande problema disso é que a pessoa só consegue fazer por um período. Ela não consegue manter essa dieta para o resto da vida. No momento que você sai de uma restrição, existe um pico de compulsão, tanto pela falta de carboidrato quanto por algum tipo de distúrbio metabólico, como a resistência insulínica. Esse círculo se forma e a pessoa fica cada vez mais compulsiva e realmente acaba engordando”, disse a endocrinologista Maria Fernanda Barca. 

Para o Dr. Andrew Jenkinson o foco não deve ser na contagem de calorias. O estresse, por exemplo, gera diversas alterações metabólicas. Além de interferir na forma como você se alimenta ele pode, inclusive, alterar substâncias no organismo responsáveis pela perda de peso. 

De acordo com a endocrinologista Maria Fernanda Barca existem diversos estudos mostrando que quem  dorme menos de sete horas tem tendência a engordar. Já aqueles que dormem mais de 7 horas têm uma tendência a manter o peso com uma facilidade maior para emagrecer. Isso porque a privação do sono diminui o pique da pessoa para fazer atividade física, além da privação do sono funcionar como um estresse orgânico. Ela vai fazer com que existam hormônios do estresse, entre eles, adrenalina, noradrenalina, cortisol e hormônio do crescimento atrapalhando o emagrecimento e poupando a queima energética. Isso vem desde o período dos homens das cavernas, que precisavam fugir ou lutar, e já tinham essa liberação hormonal para que ele conseguissem enfrentar essas situações, principalmente porque eles não sabiam quando iriam comer. 

“Quem não dorme direito ou quem tem o sono entrecortado também terá uma diminuição da melatonina, que também é queimadora de gordura. Ao mesmo tempo, ele terá um aumento do hormônio da fome, a grelina, que pode fazer a pessoa comer mais. Assim, a pessoa tem mais vontade de comer comidas, inclusive, mais calóricas e gordurosas”, afirmou a médica. 

Outro fator é a dieta ocidental. Rica em gorduras trans, açúcares e carboidratos refinados, elas elevam o nível de insulina (hormônio responsável por controlar o açúcar no sangue) que acaba levando ao ganho de peso. Jenkinson fala também do alto índice de consumo de ácidos graxos como o ômega 6, por exemplo. Ele é amplamente utilizado para aumentar a vida útil dos alimentos. “Isso causa inflamação em todo o corpo, afetando o hipotálamo ou nosso centro de controle de peso”, diz o médico. 

A boa notícia é que mudando seus hábitos, é possível contornar os efeitos do efeito sanfona no peso. 

Confira as dicas do Dr. Andrew Jenkinson: 

Coma alimentos o mais próximo possível do seu estado natural: “Se você puder comprá-los em uma mercearia, açougue ou peixaria, é melhor”, diz Jenkinson

2

Prepare comida em casa, em vez de comprar refeições prontas ou molhos, que provavelmente contêm óleos vegetais.

3

Reduza sua insulina cortando açúcar e carboidratos refinados, como pão branco, macarrão, álcool e arroz branco.

4

Corte os óleos vegetais poliinsaturados, entre eles, os óleos de girassol e canola. Cozinhe com manteiga, manteiga ghee, azeite ou óleo de coco.

5

Escolha carne e peixe com níveis mais altos de ômega 3: carne alimentada com capim (verifique cuidadosamente o rótulo), cordeiro (geralmente 100% alimentado com capim), peixe capturado por linha ou peixe enlatado (em salmoura, não em óleo).

6

Se você ainda está lutando para perder peso, reduza os carboidratos para 100 gramas por dia (a maioria de nós come 300g por dia).

7

Pratique exercícios que o faça suar pelo menos três vezes por semana por 20 a 30 minutos.

8

Durma oito horas por noite. Estudos mostram que a privação do sono pode levar ao consumo de 300 calorias extras por dia.

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