O consumo exagerado de bebidas alcoólicas e o desequilíbrio alimentar são distúrbios que podem trazer consequências sérias para quem sofre com esses problemas. Com o isolamento social provocado pela pandemia de coronavírus, aumentou o número de pessoas que estão buscando na comida e na bebida uma forma de “amenizar” a solidão, a saudade e os medos.

Bebidas, chocolate, pizza e outros alimentos estão sendo usadas como gatilho para diminuir a ansiedade e o estresse coletivo. A neuropsicóloga Bia Sant’Anna salienta que esses “refúgios” têm um impacto direto no organismo, tanto do aspecto físico como do ponto de vista emocional. “As pessoas deixaram de fazer todas as coisas que gostavam e tinham prazer. Nesse cenário de ansiedade, comida, bebidas, compras pela internet e até drogas ilícitas são encaradas como remédios por proporcionarem uma falsa sensação de conforto”, analisa.

O aumento no consumo de álcool, por exemplo, chamou a atenção da Organização Mundial de Saúde (OMS), que emitiu uma nota pedindo que as autoridades governamentais reduzam a venda de álcool durante a quarentena.

Com academias, parques, shoppings, bares e restaurantes fechados, Bia explica que é necessário encontrar outras formas de distração para resgatar as emoções positivas e evitar a compulsão – de qualquer origem. Segundo a neuropsicóloga, é fundamental buscar alternativas para incluir no “cardápio da quarentena” sentimentos como a calma, alegria, tranquilidade e diversão. “Um pouco de irritação até dá um tempero a essa dieta. O grande desafio dessa quarentena é conseguir fazer essa dieta emocional de forma equilibrada”, comenta.

IMPACTOS

Pessoas com obesidade foram incluídas no grupo com mais chances de desenvolver a Covid-19, por serem consideradas mais vulneráveis à doença do ponto de vista imunológico, com menor atividade antiviral e mais riscos de complicações.

O mesmo ocorre com pessoas que consomem bebidas alcoólicas com frequência. O álcool deprime o sistema imunológico, aumentando a propensão a contrair a Covid-19. “Não se sabe quando esse período de incertezas vai terminar, isso é certo.

Nesse momento é preciso ter muita cautela, cuidar da saúde física e mental principalmente”, observa a neuropsicóloga.

 

Bia Sant’Anna é graduada em Psicologia pela USP. Especialista em Neuropsicologia pela FMUSP. Especialista e proficiente em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pelo CTC Veda. Mestre pela UNIFESP e Hipnoterapeuta Cognitiva pela Cognicci Psicologia.

msisdn